Mais uma vez, os pseudo donos do poder tentam fazer piada com o Piauí. Engraçado como se esforçam. Como tentam "inovar". Chega a ser comovente a tentativa insistente de desmoralizar nossa cultura, nosso povo. Mais uma vez, não se trata aqui de bairrismo ou um sentimento nativista exacerbado (não tenho vocação pra isso), é questão de bom senso e de reconhecer o próprio valor.
Um dia desses, foi a tal Dadá, domingo foi o Agildo Ribeiro. Muito me estranha o fato de um senhor, já experiente, apelar daquele jeito. E é porque estavam condenando a apelação!! Olhem só!! O Amaurí Jucá não recebeu nenhum voto por que "fez um humor muito apelativo. falou muito de sexo"... Isso sim, é piada!! Quer dizer que num programa onde o apresentador só fala disso, onde as piadas só giram em torno disso, numa emissora que reserva até programa pra esse tema, não se pode falar em sexo?? E as piadas do pior programa de humor da TV aberta brasileira, o Zorra Total, não tem piada sobre sexo? São todos politica e puritamente corretos? Sem falar nas novelas altamente apelativas, até aquela direcionada para os adolescentes! Não, não há o tema sexo na rede globo!! Essa é a piada!!! hahahahahahahaha... A eventual hipocrisia do puritanismo me dá nojo!!!
O rapaz que venceu a competição é muito bom. De fato, tem personalidade própria, criou um personagem, como muito bem argumentou Luana Piovane. Aquela senhora, tentava imitar, a partir do figurino, a Rosicléa (excelente humorista cearence). E o piauiense Amaurí Jucá também se saiu muito bem. E poderia ter saído do programa sem ter ouvido aquelas alfinetadas do tal Agildo. Desnecessário. Ninguém sorriu e ainda deixou o humorista e todos os seus telespectadores decepcionados com tamanha falta se sensibilidade. E que porra de piada foi aquela? "Eu tinha um amigo no Piauí que, quando ele saía, botava uma placa dizendo: volto já." E o que que isso tem a ver com algum coisa de que se falou??? Qual é a graça???? Se ele queria, com isso, ilustrar que não há ninguém por aqui, falhou, pq vc não coloca uma placa de "volto já" se ninguém te procura....
Fala sério. nem sei porque ainda me dou ao trabalho de escrever sobre isso. Deve ser essa insistência em viver, sobre a qual Euclides da Cunha escreveu. Sou bravo, sou forte, sou filho do norte!, repito os versos de Gonçalves Dias. E continuo querendo saber do que pode dar certo. Não tenho (mais) tempo a perder com essa gente pequena, que pensa que o mundo é só o cristo de concreto e o tietê sujimundo.
"o resto é mar. é tudo o que eu não sei contar..."
18 novembro 2009
07 novembro 2009
Hoje é dia de finados

O post está meio atrasado, mas a reflexão tem permanecido atual ao longo dos tempos. O texto é de Elton Larry, meu amigo historiador, filósofo e metaleiro.
Além do significado óbvio, compartilhado por todos – que o considerem ou não uma data a ser observada – o que significa esta data ou... para que serve o dia de finados?
É evidente que a maneira como alguém ou um grupo se apropria de uma data está intrinsecamente ligada a suas experiências, expectativas e outros ‘ex’ da vida. Mas entender como a maioria enxerga este dia pode ser interessante.
Hoje, uma quantidade enorme de pessoas se dirigiu a um, dois ou mais dos milhares de cemitérios que existem no território brasileiro levando velas, terços, tinta para pintar alguma cruz mais enferrujada, coroas de flores, água, dentre outras coisas.
Nota-se no semblante da maioria que eles não se dirigem ao cemitério com expressão de tristeza, o que não significa muita coisa, em cortejos vê-se muitas pessoas até com cara de riso. Entretanto, não se vê em muita gente aquele ar de circunspecção que se espera transparecer nestes momentos.
Na hora de rezar o terço aparece alguma circunspecção. Não em todos, claro. Tem gente que vai ao túmulo de um ente querido – prefiro acreditar que o considerem querido – e não se interessa em rezar ou ao menos ler uma parte dos chamados ‘mistérios’ presentes naqueles livrinhos titulados “Rezemos o terço”.
Não se pode afirmar só por isso que as pessoas em questão não amem seus mortos assim como aqueles dispostos a rezar. Reconheço que as primeiras podem ter sentimentos mais bonitos do que aqueles adequados ao que se espera nestas ocasiões.
O caminho até os cemitérios é uma atração à parte. Dezenas, centenas de automóveis estacionados mostram que você está chegando a um cemitério. A algazarra de crianças a fim de ganhar algum que se propõem a ‘vigiar’ seu carro, também. Vende-se água normal, água com gás, água de coco. Vendem-se velas, coroas de flores, alguns petiscos como batata frita e há até mesmo barracas de caipirinha (caipirinha?).
Coisas como este forte comércio parecem deixar clara uma das particularidades mais simples da data: o dia é dos mortos, mas quem importa mesmo são os vivos. É para eles que se busca vender alguma coisa – mesmo no caso de um enterro, o morto não poderá fazer uso de seu dinheiro juntado em vida – é aos vivos que se oferece tanto o consolo espiritual (atitude bonita, embora meio pretensiosa) quanto diversas opções de planos funerários – claro que não deixa de ser uma oportunidade de negócio, mas a situação de um filho que chora a morte de um pai ser assediado por um vendedor de planos funerários supera as barreiras do mau gosto.
O dia dos mortos pode ter uma função bem interessante: lembrar aos vivos como, apesar de tudo, deve valer a pena continuar deste lado do estige. Vou ao cemitério e claro, não posso deixar de ver a comoção em alguns poucos rostos desconhecidos. Mesmo que a dor da perca seja enorme, acho que pouquíssimas pessoas ali trocariam de lugar com seus entes sepultados. Ir ao cemitério parece que lhe deixa com certa vontade de viver. A menos que você seja um daqueles escritores doidões que desejavam alcançar a morte como um escapismo para o sofrimento.
Acho que não seria necessário um dia para os mortos se as pessoas, de bom grado, se lembrassem deles. Claro que todos eles quando eram vivos possuíam seus defeitos. Podiam ser mentirosos, meio covardes, um pouco desonestos quem sabe, sonhadores ao extremo ou extremados puxa-sacos. Mas deviam deixar alguém feliz quando chegavam em casa, quando preparavam uma comida boa, quando abraçavam alguém ou quando te diziam aquelas palavras de carinho e estímulo que em um momento de tristeza podem fazer toda a diferença.
Entretanto, a delimitação de uma data específica – estrategicamente colocada após o dia das bruxas e o de todos os santos – pode trazer seus benefícios. Por um lado prático, pode proporcionar a um pai, cujo filho está enterrado em um local meio distante, um dia de folga onde ele possa visitar seu túmulo e depois passar na casa de um amigo de longa data que há tempos não via. (O que foi? por acaso você acha que todo mundo vai só ao desfile em 7 de setembro? Eu sequer conheço alguém que vá.)
O dia de finados, como já foi dito, é dedicado a eles, mas quem se aproveita dele somos nós – enquanto vivermos – a saudade de alguém que já partiu pode ser dolorosa, mas senti-la é sinal de que aquela pessoa fez a diferença na sua vida. Eu particularmente lembro de uma senhora que poderia ter me ensinado a ser bom e paciente como ela foi, mas a luz de seus olhos apagou-se cedo demais.
Embora eu continue achando que no dia de finados, os mortos deveriam poder voltar á terra para ver seus entes queridos, (mas acho também que alguns deles não iam querer ver absolutamente ninguém e passar o dia bebendo/fumando/transando) não posso pensar em tudo. Cada um é dono de seu coração – até quando ambos estão ‘meio’ mortos.
É evidente que a maneira como alguém ou um grupo se apropria de uma data está intrinsecamente ligada a suas experiências, expectativas e outros ‘ex’ da vida. Mas entender como a maioria enxerga este dia pode ser interessante.
Hoje, uma quantidade enorme de pessoas se dirigiu a um, dois ou mais dos milhares de cemitérios que existem no território brasileiro levando velas, terços, tinta para pintar alguma cruz mais enferrujada, coroas de flores, água, dentre outras coisas.
Nota-se no semblante da maioria que eles não se dirigem ao cemitério com expressão de tristeza, o que não significa muita coisa, em cortejos vê-se muitas pessoas até com cara de riso. Entretanto, não se vê em muita gente aquele ar de circunspecção que se espera transparecer nestes momentos.
Na hora de rezar o terço aparece alguma circunspecção. Não em todos, claro. Tem gente que vai ao túmulo de um ente querido – prefiro acreditar que o considerem querido – e não se interessa em rezar ou ao menos ler uma parte dos chamados ‘mistérios’ presentes naqueles livrinhos titulados “Rezemos o terço”.
Não se pode afirmar só por isso que as pessoas em questão não amem seus mortos assim como aqueles dispostos a rezar. Reconheço que as primeiras podem ter sentimentos mais bonitos do que aqueles adequados ao que se espera nestas ocasiões.
O caminho até os cemitérios é uma atração à parte. Dezenas, centenas de automóveis estacionados mostram que você está chegando a um cemitério. A algazarra de crianças a fim de ganhar algum que se propõem a ‘vigiar’ seu carro, também. Vende-se água normal, água com gás, água de coco. Vendem-se velas, coroas de flores, alguns petiscos como batata frita e há até mesmo barracas de caipirinha (caipirinha?).
Coisas como este forte comércio parecem deixar clara uma das particularidades mais simples da data: o dia é dos mortos, mas quem importa mesmo são os vivos. É para eles que se busca vender alguma coisa – mesmo no caso de um enterro, o morto não poderá fazer uso de seu dinheiro juntado em vida – é aos vivos que se oferece tanto o consolo espiritual (atitude bonita, embora meio pretensiosa) quanto diversas opções de planos funerários – claro que não deixa de ser uma oportunidade de negócio, mas a situação de um filho que chora a morte de um pai ser assediado por um vendedor de planos funerários supera as barreiras do mau gosto.
O dia dos mortos pode ter uma função bem interessante: lembrar aos vivos como, apesar de tudo, deve valer a pena continuar deste lado do estige. Vou ao cemitério e claro, não posso deixar de ver a comoção em alguns poucos rostos desconhecidos. Mesmo que a dor da perca seja enorme, acho que pouquíssimas pessoas ali trocariam de lugar com seus entes sepultados. Ir ao cemitério parece que lhe deixa com certa vontade de viver. A menos que você seja um daqueles escritores doidões que desejavam alcançar a morte como um escapismo para o sofrimento.
Acho que não seria necessário um dia para os mortos se as pessoas, de bom grado, se lembrassem deles. Claro que todos eles quando eram vivos possuíam seus defeitos. Podiam ser mentirosos, meio covardes, um pouco desonestos quem sabe, sonhadores ao extremo ou extremados puxa-sacos. Mas deviam deixar alguém feliz quando chegavam em casa, quando preparavam uma comida boa, quando abraçavam alguém ou quando te diziam aquelas palavras de carinho e estímulo que em um momento de tristeza podem fazer toda a diferença.
Entretanto, a delimitação de uma data específica – estrategicamente colocada após o dia das bruxas e o de todos os santos – pode trazer seus benefícios. Por um lado prático, pode proporcionar a um pai, cujo filho está enterrado em um local meio distante, um dia de folga onde ele possa visitar seu túmulo e depois passar na casa de um amigo de longa data que há tempos não via. (O que foi? por acaso você acha que todo mundo vai só ao desfile em 7 de setembro? Eu sequer conheço alguém que vá.)
O dia de finados, como já foi dito, é dedicado a eles, mas quem se aproveita dele somos nós – enquanto vivermos – a saudade de alguém que já partiu pode ser dolorosa, mas senti-la é sinal de que aquela pessoa fez a diferença na sua vida. Eu particularmente lembro de uma senhora que poderia ter me ensinado a ser bom e paciente como ela foi, mas a luz de seus olhos apagou-se cedo demais.
Embora eu continue achando que no dia de finados, os mortos deveriam poder voltar á terra para ver seus entes queridos, (mas acho também que alguns deles não iam querer ver absolutamente ninguém e passar o dia bebendo/fumando/transando) não posso pensar em tudo. Cada um é dono de seu coração – até quando ambos estão ‘meio’ mortos.
05 novembro 2009
justificativa

Há algum tempo eu vinha pensando em mudar o título do blog pra alguma coisa que dissesse mais sobre o que escrevo, mas nada me ocorria assim de pronto e de modo completo, quer dizer, que completasse minhas vontades, meus "desejos tão profundos". Então, de repente, assistindo ao clip da música Longe, do Arnaldo, tive esse insight. Pois é assim que me sinto (e tudo não é sentimento?) ou pelo menos tenho me sentido de uns tempos pra cá. Uma espécie de solidão interior voluntária. A verdade é que venho cansando minha paciência ao tentar entender comportamentos, gestos e falas de pessoas que me cercavam e essa tentativa tem sido frustrada sempre. (e não é exagero). Então, por isso a solidão voluntária. Preciso me entender, se quiser entender alguém mais. A tarefa é quase impossível, mas ainda tento me enxergar profundamente. E como somente algumas amigas (Ana, Isa e Rosa) leem o que eu posto aqui, me senti à vontade para dizer mais sobre qualquer coisa mesmo.
O que estou tentando dizer (já deu pra perceber essa verborragia insana que escorre dos meus dedos) é que vou tentar (sempre tentar! tudo começa a partir de tentativas!) não mais me esconder atrás das palavras (ou do lado ou entre elas) de outras pessoas. Claro que vou continuar postando poemas e músicas que me agradam, mas vou voltar a escrever. (vou tentar!!!)
E pra não perder o hábito, aí vai a letra da música Longe do Arnaldo Antunes, do cd Iê Iê Iê!!! (o máximo!!!)
Onde é que eu fui parar?
Aonde é esse aqui?
Não dá mais pra voltar
Porque eu fiquei tão longe, longe...
Onde é esse lugar?
Aonde está você?
Não pega celular
E a Terra está tão longe, longe...
Não passa um carro sequer
Todo comércio fechou
Não tem satélite algum transmitindo notícias de onde eu estou
Nenhum e-mail chegou
Nenhum correio virá
Eu entre quatro paredes sem porta ou janela pro tempo passar
Dizem que a vida é assim
Cinco sentidos em mim
Dentro de um corpo fechado
No vácuo de um quarto
No espaço sem fim
Aonde está você?
Por que é que você foi?
Não quero te esquecer
Mas já fiquei tão longe, longe...
Não dá mais pra voltar
Eu nem me despedi
Aonde é que eu vim parar?
Por que eu fiquei tão longe, longe, longe, longe...
Longe, longe, longe, longe...
Link pra o site do Arnaldo (comentário sobre o novo cd):
28 outubro 2009
DESCONFIE SEMPRE...
26 outubro 2009
Dadá Coelho precisa crescer
Foi com muita tristeza que assisti aos vídeos de Dadá Coelho no Programa do Jô. É uma pena que uma pessoa "estudada" faça piada com a ignorância e a miséria da própria mãe. As pessoas aqui no Piauí são sofridas sim, não têm as oportunidades que surgem nos locais mais desenvolvidos do país, mas em contraposição a essa falta de oportunidades, nós temos o esforço e a determinação que falta a muita gente. Exemplo disso é o cineasta Cícero Filho, entrevistado há algum tempo, e que fez o caminho inverso da ilustre desconhecida Dadá. A maioria das pessoas consegue se fazer por aqui sem precisar de "pit stop" no Maranhão ou no Ceará, nossos estados vizinhos. Não é verdade que existem apenas pessoas medíocres que se contentam em ser empregadas do Armazém Paraíba, ou o serviço no funcionalismo público ou ainda o casamento depois de uma gravidez. Em que lugar do país essas alternativas não se repetem (guardadas as devidas proporções)? Essa jovem senhora tentou tanto se livrar da mediocridade piauiense, mas só consegue um espaço de destaque a partir da mediocridade do estado que a pariu. Que feliz paradoxo! Queria vê-la tentar fazer graça a partir de coisas mais inteligentes, como tirar sarro de sua condição de jornalista- comediante-produtora (talvez seja por isso que não precisem mais de diploma). Ria de si mesma, minha cara, antes de tentar provocar o riso insosso de uma plateia educada, que ri pra não deixar o piadista sem graça. O Programa do Jô merecia umas piadas mais bem elaboradas.
04 outubro 2009
soneto do amor imperfeito
Não quero mais buscar o amor perfeito
pra camuflar o sentimento em chama
e amortecer o que me dói no peito,
a mesma dor de todo ser que ama.
Que amar assim, eu sei, não é direito,
pois todo peito preso nesta trama
adoecido faz do olhar um leito
pra adormecer a fonte deste drama.
Vou procurar amar só o instante
um amor maior, porém um passageiro
tão transeunte quanto o amante
que tenha amores pelo mundo inteiro
e ao invés da dor o peito sempre cante
o imperfeito amor que é o verdadeiro.
Paulo Franco
pra camuflar o sentimento em chama
e amortecer o que me dói no peito,
a mesma dor de todo ser que ama.
Que amar assim, eu sei, não é direito,
pois todo peito preso nesta trama
adoecido faz do olhar um leito
pra adormecer a fonte deste drama.
Vou procurar amar só o instante
um amor maior, porém um passageiro
tão transeunte quanto o amante
que tenha amores pelo mundo inteiro
e ao invés da dor o peito sempre cante
o imperfeito amor que é o verdadeiro.
Paulo Franco
24 setembro 2009
depois de passar a noite tecendo culpas e florindo lágrimas, amanheço murcha, farta, morta de cansaço, de tristeza. a vontade de ir embora, de me esconder do mundo me consome e mata minhas esperanças de um futuro do teu lado. é triste, profundamente triste, constatar que tudo acabou, que tudo morreu, algo de um viço imenso.
choro enquanto escrevo isso que não adianta mais nada, não faz o tempo voltar, não reedifica o sentimento. meus olhos vermelhos não querem ver mais teu rosto ríspido, meus ouvidos estão surdos às tuas palavras duras, minha mão ainda guarda a quentura da tua, do teu corpo. é a lembrança boa que fica em mim: teu calor. tento esconder meu choro das pessoas que me cercam, mas meu soluço me denuncia e estou mais uma vez sendo interrogada e os motivos e a realidade se voltam com toda a força sobre mim.
o desejo que guardo tão profundamente em mim não é o suficente pra te fazer voltar e rever nos meus olhos e nas minhas mãos quanto amor eu ainda tenho, quanto carinho guardado, abafado, na ânsia de te dar.
quando meus olhos secam, minha alma se inunda de pranto e por dentro eu choro. estou magoada, me sinto só. a felicidade que parecia nunca acabar, foi embora sem mais e o que restou foram ruínas dentro de mim. sinto saudade, sinto falta e meu amor está longe e dentro de mim. sei que essa dor passa, mas não consigo me privar de senti-la, de esquecê-la, ao menos. fico sonhando e esperando que tudo seja um pesadelo, que vou acordar e viver novamente aquela felicidade de outrora, mas a realidade me chama e grita bem alto meu nome.
não sei por que motivo você consegue afastar as pessoas que te amam. sei que o amor não é brinquedo, não é coisa que se viva como quem vive um caso sem propósitos. mas não consigo entender como um sentimento tão forte, com raízes tão fundas, acaba. como essas raízes podem ser arrancadas sem machucar a terra em que elas se fincaram por tanto tempo? como pode uma planta tão vistosa, morrer seca e só? são os segredos da natureza. e como todo segredo, ninguém sabe, ninguém viu.
eu não sei, eu não vi como você foi saindo assim da minha vida...
17 setembro 2009

CANÇÃO DE OUTONO
Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão...
Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
Cecília Meireles
Cecília Meireles
epigrama n.2

És precária e veloz, Felicidade.
Custas a vir e, quando vens, não te demoras. Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as horas.
Felicidade, és coisa estranha e dolorosa:
Fizeste para sempre a vida ficar triste:
Porque um dia se vê que as horas todas passam,
e um tempo despovoado e profundo, persiste.
Cecília Meireles
nem tudo é fácil...
É difícil fazer alguém feliz,
Assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo,
Assim como é fácil não dizer nada.
É difícil ser fiel,
Assim como é fácil se aventurar.
É difícil valorizar um amor,
Assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer por hoje,
Assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil abrir os olhos e enxergar o que de bom a vida te deu,
Assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz,
Assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir,
Assim como é fácil fazer chorar.
É difícil se pôr no lugar de alguém,
Assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão?
Mas quem disse que é fácil ser perdoado?!
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar?
Mas quem disse que é fácil se arrepender?!
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir?
Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?!
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas?
Mas quem disse que é fácil ouvir você?!
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil se entregar?
Mas quem disse que é fácil ser feliz?!
Nem tudo é fácil na vida...
Mas, com certeza, nada é impossível...
Precisamos acreditar, ter fé
E lutar para que não apenas sonhemos,
Mas também tornemostodos estes Sonhos
Realidade...!
Este texto é de Glácia Daibert, e não de Cecília Meireles, como circula por aí.
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