"o resto é mar. é tudo o que eu não sei contar..."

23 julho 2010

sobre o amor (ou seja lá o que isso for)


Acabo de assistir a um filme em que uma mulher suíça, absolutamente enlouquecida, deixa seu noivo no último dia de viagem ao Quênia, para ficar ao lado de um aborígine Massai. A história é emocionante, não apenas por ser uma história de amor bela e inusitada, mas por me fazer pensar nas decisões que tomamos e nas certezas que nos impulsionam ao sucesso ou ao fracasso. Na verdade, excetuando esse meu teor maniqueísta de perceber as coisas, o que me incomodou durante todo o filme foi o fato de ela, Carola, não se perguntar se, de fato, valia apenas abandonar tudo por um homem que ela nem sabia se retribuía seu sentimento. Ou ainda, perguntar-se, questionar-se, indagar-se sobre os costumes do povo ao qual ele pertence, enfim... Todas essas coisas que minha mãe me diria numa situação dessas e que, com certeza, a mãe dela também.
Outros dirão: ela precisava passar por aquilo, ela precisava viver aquele momento... Outros ainda: ela foi movida pelo amor, foi guiada pelos sentimentos, pelo coração... As interpretações são infinitas e eu gostaria de mostrar apenas a minha: pelo que eu entendo de sentimentos, parece que Carola se deixou levar por um falso sexto sentido e confundiu admiração com amor ou ainda, encarou gentileza, presteza e beleza (que eco terrível!) com paixão, interesse. E seguiu cega, pelas savanas da África, atrás do seu salvador: um guerreiro da tribo Massai que não sabia amar, não entendia a conversa dos olhares, nem se esforçava por entender as necessidades de sua mulher que lhe deu a maior de todas as provas de amor: abdicou do seu mundo em prol do mundo dele, extremamente duvidoso.
Quantas de nós já não fizemos isso: viver o mundo do outro. E quantas de nós não voltou pra casa, rabinho entre as pernas, e recomeçou do zero? Ela quis acreditar que fosse dar certo, sem saber ou sem querer saber que era preciso mais que amor, mais que paixão, desejo ou que quer que seja isso que nos move. É preciso mais do que amor para se viver um grande amor.
Mas não posso negar que é uma linda história. (Baseada em fatos reais: A massai branca, de Corinne Hofmann)

6 comentários:

João Araújo disse...

ótim texto she.
mas afinal quando "abdicamos de nosso mundo" em prol do "mundo do outro" o que que estamos querendo não será povoar mais e mais e nosso mundinho?

she disse...

Sinceramente, não sei, João...

um abraço forte!

Leca disse...

She...
Fiquei com muita vontade de assistir...esse filme...
"A Massai Branca"...
já anotei...
Beijos
Gostei daqui...
Leca

she disse...

Leca, fique à vontade, se esse meu cantinho lhe agrada.

Um abraço forte.

Ana Patricia disse...

Já vi e sempre fui sensível ao lado dele também... não sei direito por qual notivo. Mas achei que ele teve os valores ultra machistas da cultura contestados de uma maneira inimaginável. Ela trabalhar, ela não ser nativa, ela poder gostar de sexo, ela ter pontos de vista diferentes ... pra ele isso foi um sacrifício muito maior. Ela me pareceu mais alguém com uma história maluca de aventura, uma ocidental que viveu uma coisa inusitada pra contar depois, em filme, neste caso ... ele foi mais virado pelo avesso. Não sei se estou certa, mas penso que o filme é o ponto de vista dela, dos conceitos que nós podemos con]mpreender pq somos tão ocidentais e pós-modernos quanto ela ... Ah, sei lá! Posso estar errada e enrolada né? Mas tudo bem, nesse caso aproveito pra dizer que sinto saudade, que já estou há três meses no AP e ainda não tenho computador ainda! Escreve email pra mim? Bjs!

she disse...

Sim, Patrícia, existe este outro lado da história que eu não levei em consideração por ser mulher... esse corporativismo um dia acaba comigo.

Um abraço grande, amiga!
Saudades de você!