
Nós teremos leitos de rosas ligeiras,
E divãs profundos como campa ou mar,
E flores estranhas, sobre prateleiras
Sob os céus formosos a desabrochar.
Depois a queimar luzes verdadeiras
Nossos corações irão fulgurar,
E refletirão as suas fogueiras
Nestas nossas almas, este doce par
De espelhos. Porém por tarde mediúnica,
Iremos trocar uma flama única
Como um longo pranto que é um adeus cruel:
E mais tarde um anjo entreabrindo as portas
Virá reanimar feliz e fiel
Os espelhos foscos mais as chamas mortas.
Charles Baudelaire. (Poema integrante da obra As Flores do Mal, de 1857)
Imagem: A separação. Publicado em Playing With Light, por Rui de Almeida Cardoso, em 2007/01/08.
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