"o resto é mar. é tudo o que eu não sei contar..."

22 novembro 2010

amor: estrada de fazer o sonho acontecer

Uma bela canção de amor cura qualquer dor de cotovelo. A alegria de estar bem, apesar de tudo, me faz mais forte. E quando penso no que já vivi, só posso sorrir. É quando percebo que olhar pra trás é um folhear incessante do álbum de retratos esquecido. E meus olhos tornam a colorir o mundo.

Salve, Milton Nascimento!

durante a viagem,
quem se detém a apenas um dos lados da estrada
termina perdendo todo o outro lado.

18 novembro 2010

hoje descobri que somente os pombos vivem de migalhas.
e que eu só posso sobreviver com migalhas.

hoje descobri, meio sem querer, que as pequenas vontades
são nossos maiores desejos reduzidos a poucas frações,
pois realizá-los inteiros nos parece muito longe
e na pressa de ter e chegar a algum lugar, nos contentamos
com a sombra do pouco desejo abafado.

hoje descobri, em meio ao choro, que não devo mais seguir
se não posso mais sonhar.
que a vida é ruim e que se não for a pulsão de uma paixão,
morre-se um pouco a cada passo do nem tão longo caminho.

hoje descobri que as piores mentiras são aquelas susurradas no escuro,
de olhos fechados. e que o pior adeus é dito com o olhar, num piscar de olhos
displicente, em meio a bocejos e silêncios castradores.

hoje, manhã cinza e molhada, chorava pelo meu sono quebrado,
fatigado e empobrecido, casa de solidão, pulso enfraquecido.
hoje descobri que eu não vi nada além do que queria ver.

17 novembro 2010

a beleza dela era uns pardais nos fios elétricos,
chiando,
interrompendo o silêncio da manhã.
e assim, dissonante, ela povoou
os mais silenciosos pensamentos
dele.
com esse sol
e esse céu
não me iludo.

onde pingou um dia
cairão nuvens
sobre meu luto.

não adianta

Não adianta,
Não adianta nada ver a banda
Tocando “A Banda” em frente da varanda.
Não adianta o mar,
E nem a sua dor.

Não adianta,
Não adianta o bonde, a esperança,
E nem voltar um dia a ser criança.
O sonho acabou.
E o que adiantou?

Não tenho pressa,
Mas tenho um preço,
E todos têm um preço.
E tenho um canto,
um velho endereço.
O resto é com vocês,
O resto não tem vez.

O que importa,
É que já não me importa, o que importa,
É que ninguém bateu em minha porta,
É que ninguém morreu, ninguém morreu por mim.

Não quero nada,
Não deixo nada, que não tenho nada,
Só tenho o que me falta e o que me basta,
No mais é ficar só,
Eu quero ficar só.

Não adianta,
Não adianta, que não adianta,
Não é preciso, que não é preciso,
Então pra que chorar?
Então pra que chorar?
Quem está no fogo, está pra se queimar,
Então pra que chorar?

Sérgio Sampaio

10 novembro 2010

beijos, blues e poesia

"Eu lembro beijos, blues e poesia.
O sal na pele, você me lambia
E eu dizia: "Oh baby, I love you"

Eu lembro a cara que você fazia
Será que eu lembro o que não existia?
Você dizia: "Oh baby, I love you"

K-sis

eu tive um professor que dizia que a música é a arte mais completa por que "pega o ouvinte por trás"... e eu concordo com ele. há muito tempo ouvia essa musiquinha, mas só entendia o "Baby, I love you". Nada extraordinário, uma das frases em inglês mais repetidas por aí. Mas não era a frase, em si, que me chamava a atenção, era o jeito lânguido daquela voz tão feminina dizer "Baby, I love you". Aí, hoje, conversando com uma amiga numa sorveteria, um sujeito sentou à mesa ao lado da nossa, ligou o celular e ouviu a música umas 3 vezes... aquilo me incomodou de um jeito, que eu não conseguia mais prestar atenção na nossa conversa. e a voz feminina no meu ouvido: "E eu dizia; "Baby, I love you"... Vim procurar a letra e me deparei com essas imagens: "o sal na pele, você me lambia"... quantas músicas dizem essa mesma coisa, mas de maneira vulgar? Eis a diferença!

08 novembro 2010

palavra é afago pra quem quer sublimar uma falta.
qualquer palavra.
mesmo fora do lugar,
mesmo noutro lugar.
a palavra é afago para quem quer ser perdoado.